Tuesday, 06 July 2010 16:59

Ser ou naão ser jornalista, é uma questão

Written by  Americo Xavier

Ética nos Media é uma matéria que tem levantado acalorados debates nos fora académicos, jornalísticos e outros. A tríade academia, media, público, forma uma ligação incontornável. Sendo o jornalista um elemento da sociedade, ele traz consigo elementos inalienáveis fruto da sua convivência social. Por outro lado, a assimilação de conhecimentos através da universidade – se fôr esse o caso – e, o desenvolvimento da actividade no local de trabalho levantam situações novas, muitas vezes conflituantes.

Tornou-se cliché dizer por exemplo, “fontes geralmente bem informadas…”, “fontes afectas…”, “fonte na condição de anonimato…”, “para não sujeitar a nossa fonte a pressões…

Anúncios publicitários usam crianças inadvertidas nos seus spots. Ou uma grande empresa oferece lanche a crianças, e, em jeito de agradecimento em côro entoam uma frase-chave de um spot publicitário da companhia.

Jornais e televisões não protegem a identidade das vítimas de crimes, ao ensaiar cobrir parcialmente a sua face.

Organizações religiosas, partidos, equipas de futebol através dos seus media fazem propaganda tentando ganhar novos simpatizantes. Isto significa invadir outros espaços.

Grandes companhias, no âmbito da chamada responsabilidade social, instrumentalizam os media, exibindo os seus donativos a comunidade através destes.

Se bem haja sempre um tema, neste contexto aparece com maior destaque o jornalista, aquele que apresenta o produto final ao público. A quem deve ele obediência? Ao empregador? Ao Chefe de Redacção? À sua consciência? Ou às suas necessidades objectivas de sobrevivência? A sociedade tem alguma autoridade ou algum papel?

Ética no jornalismo ressalta o dilema do Interesse público e da privacidade. O jornalista, em nome da verdade e no compromisso de honra, assume o direito de, usando formas nãos legais, investigar, escrever e publicar media histórias de corrupção. Cairá ele nas malhas da justiça por se ter apoderado “fraudulentamente” das provas? Tem ele direito a protecção? De quem?

As novas tecnologias trivializaram em certa medida a profissão de jornalista. As mensagens via celular, bloggs, fazem circular “informações” sem qualidade que muitas vezes fazem a opinião pública.

Seja como for, a formação académica do jornalista é uma ponte para a assimilação com vista a uma prestação ética na actividade. O exercício de trabalho em equipa para incutir de forma sistemática e racional o papel do jornalista em tanto que cidadão profissional pode ser uma via positiva. Por outro lado, o estabelecimento de instrumentos reguladores da actividade jornalística pode concorrer para a defesa da classe.

Com o desenvolvimento tecnológico e a apetência dos conglomerados comunicacionais a  supremacia económica e influencia politica, o jornalismo ético enfrentara sem sombra de dúvida outros desafios. Isto significa que o debate vai continuar. Valorizar a profissão e defender valores e a fórmula que deve continuar.

Last modified on Tuesday, 06 July 2010 17:00

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